Não é à toa que nosso país tanto admira ”mulheres-fruta”, Big Brothers, “MC qualquer coisa”, Quebra-Barracos, popozudas, pagodeiros traficantes, pancadaria em programas de auditório, “celebridades” que se engrandecem através de escândalos e qualquer “expressão artística” que mencione a vulgaridade, o desrespeito e a banalidade do sexo.
Somos um país onde 11,4% da população é analfabeta — o que significa que temos o terceiro maior índice da América Latina, perdendo apenas para o Haiti (41,7%) e Guatemala (30,9). Se nossa educação está nesse nível, imagine nossa cultura.
E eu me pergunto: como uma pessoa de classe baixa ou até média pode ter um acesso profundo à cultura se tudo é tão caro? Nossas classes sociais são divididas da seguinte maneira:
Classe alta: Renda domiciliar mensal superior a 11400 reais;
Classe média alta: Renda domiciliar mensal entre 7600 e 11400 reais;
Classe média: Renda domiciliar mensal entre 3800 e 7600 reais;
Classe média baixa: Renda domiciliar mensal entre 1900 e 3800 reais;
Classe Baixa: Renda domiciliar mensal inferior a 1900 reais.
Se eu não vivesse com a minha família, se levasse uma vida independente, até três meses atrás, eu me enquadraria na classe baixa! Estranho, não? E olha que tenho duas faculdades! Se eu, que tenho um ótimo salário (comparado aos profissionais da minha área, da minha faixa etária e considerando a situação do mercado de trabalho atual), não consigo ter acesso à cultura como eu gostaria, imagine quem é pobre.
Quero dizer ”cultura de verdade” (que nos torna pessoas cultas) e não capoeira, boi-bumbá e samba de roda. Essas são acessíveis a qualquer um, já que fazem parte da cultura popular de nosso país. Acredito que é importante conhecê-la também (principalmente porque somos brasileiros), mas fico inconformada quando quero ter acesso à uma cultura mais ampla, mundial e… não posso.
Bom, todo esse blá-blá-blá é porque estou revoltadinha por ter perdido o show do Charles Aznavour, que aconteceu dia 11 no Via Funchal. Ele, cantor, compositor e ator francês, é considerado o “artista do século” por uma pesquisa realizada pela revista norte-americana “Time” e pelo canal CNN. Ok, eu tenho dinheiro pra bancar um ingresso, mas, calma lá… tenho outras prioridades na minha vida! Não vou deixar R$ 500,00 sair do meu bolso como se fosse uma nota de R$50,00! E, tem mais: ninguém vai sozinho a um show. Ou seja, eu teria de deixar MIL REAIS na bilheteria pra curtir duas horinhas de uma voz maravilhosa.
Acho que é demais, não?
Mas, essa não é minha maior revolta…
Em outubro o via Funchal receberá o (meu preferido) Michael Bublé. Entrei no site, louquinha pra comprar um par de ingressos e… quase chorei. MIL REAIS. Sim, MIL REAIS era o preço de cada um. E, detalhe: já estavam esgotados. Oi! Imagine que vou pagar DOIS MIL REAIS por um show! Nunca! Mas nem se eu fosse milionária!
Conclusão: eu quero ser culta!!! Eu quero ler os melhores livros!!! Eu quero assistir aos melhores shows do mundo!!! … Mas não vou. Vou baixar um vídeo na internet e me contentar com isso. Com R$ 2 mil eu alimento 10 crianças durante um mês!










“Quero dizer ”cultura de verdade” (que nos torna pessoas cultas) e não capoeira, boi-bumbá e samba de roda.”
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Agora eu ri.
É, não consegui comprar um livro super importante pra minha área profissional desde que entrei na faculdade.
Pra quem não sabe, terminei a faculdade ano passado!
Agora, o CD da mulher melância eu teria dinheiro pra comprar….
…Pensando bem…………………………………………………………..
NÃO!!